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Editorial - Os direitos dos imigrantes e a morte da rádio

Este editorial fez parte da newsletter enviada no dia 29 de Março de 2018. Subscreve a newsletter para receberes estes conteúdos e o episódio da semana, aqui.

Olá,

Na semana passada estive em Viena, no Radiodays Europe, e na primeira sessão a que assisti ouvi que “a rádio está morta”. Isto aconteceu perante uma plateia plena de profissionais do meio radiofónico. Curto e seco. E alto, bem alto para que todos os que preenchiam a sala ouvissem. Foi o inventor da palavra podcast, Ben Hammersley, que o disse. Mas disse que “vivemos na idade de ouro do áudio”. Esta frase foi, claro, aproveitada e repetida várias vezes ao longo dos dois dias da conferência.

Estamos na idade de ouro do áudio porque nunca se produziu tanto, tão diferente e tão bom. Jornalista e auto-intitulado futurista, Ben serviu-se da sua interpretação da lei de Moore – que aponta para a duplicação do poder de computação a cada dois anos para determinado preço – para justificar a renovada importância do áudio.

O preço para um determinado equipamento desce para metade todos os anos e isso significa que a produção de conteúdos está a descentralizar-se. Hoje não é só a voz dos grandes meios a propagar-se. É também a voz dos meios alternativos e a voz de qualquer cidadão singular.

Mas não fui a Viena só pela rádio. Cheguei um dia antes para estar presente numa manifestação anti-racismo e pelos direitos dos imigrantes, no âmbito da Semana Europeia Contra o Racismo.

A concentração estava marcada para a Karlsplatz. As temperaturas estavam negativas, a neve caía e o frio tornava difícil gravar entrevistas com o telemóvel e fotografar com a câmara. Mas ali, naquela praça, milhares de pessoas juntaram-se para percorrer a cidade com cartazes e palavras de ordem. Neste dia gritou-se pelos direitos dos migrantes e contra as políticas do recém-eleito governo austríaco.

Falei com uma catalã, residente em Viena há mais de um ano. A discriminação que protestava, nunca a houvera sentido. Porque, claro, não viera da Síria, ou do Iraque, ou da Turquia, ou do Afeganistão.

Ouviu-se Bella Ciao e, na capital de um país em que o discurso anti-imigração conquistou a maioria dos votos, “Say it loud and say it clear, refugees are welcome here”.

Até já,
Frederico Raposo.

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