José Pedro Monteiro e Miguel Bandeira Jerónimo sobre a "missão civilizadora" portuguesa

Conversámos com os historiadores Miguel Bandeira Jerónimo e José Pedro Monteiro sobre a “missão civilizadora”, sobre a forma como se materializava no trabalho forçado e no sistema de educação, e sobre como faz ainda parte da narração da história colonial portuguesa. Ler mais

Paula Simões sobre neutralidade da internet, direitos digitais e direitos de autor

O fim da neutralidade da rede é uma ameaça à internet como a conhecemos. Mas não é a única. Há uma proposta de diretiva sobre direitos de autor de que não se fala. Em causa pode estar a proibição da partilha de links e excertos de notícias e a instalação de mecanismos de censura dentro da UE. Ler mais

Na Rua - Quem manda nesta democracia?

Hoje conversámos sobre a maneira como o TTIP e CETA estão a ser negociados, a influência das grandes empresas na UE e a falta de transparência dentro das instituições europeias. Ler mais

Gustavo Sampaio sobre corrupção e portas giratórias

Entre 1999 e 2001, 4 Parcerias Público-Privadas para a construção de autoestradas foram assinadas com a Ascendi, que na altura pertencia ao Grupo Mota-Engil: as auto-estradas do Norte, Costa de Prata e Beiras Litoral e Alta. Jorge Coelho era então Ministro de Estado e do Equipamento Social. Luís Parreirão era Secretário de Estado Adjunto e das Obras Públicas. Os dois tutelavam a pasta das Obras Públicas. Os 2 assinaram estes acordos. Não foi preciso esperar muito para que, 1 ano depois, em 2002, Luís Parreirão, já fora do governo, aceitasse um convite para ser administrador de várias empresas do Grupo Ler mais

Atualidade - Ziyaad Yousef sobre Jerusalém e a decisão de Trump

Depois de Trump ter reconhecido oficialmente Jerusalém como capital de Israel, entrevistámos o Ziyaad Yousef sobre como a política dos EUA tem sido sempre a mesma desde há décadas atrás, pouco mudou. Oiçam aqui o episódio. Ler mais

André Amálio sobre a descolonização

André Amálio recebeu-nos na sua casa, em Lisboa, e foi aí mesmo que nos contou como uma aluna de doutoramento na Universidade de Coimbra foi impedida pelos seus próprios orientadores de investigar massacres levados a cabo pelo regime português durante o colonialismo. E fez questão de vincar que isto aconteceu agora. Não é coisa de há décadas atrás. A aluna, censurada, viu-se forçada a desistir da sua investigação. O colonialismo ainda é tabu. Estava habituado a olhar para toda “aquela história grandiosa dos nossos heróis”. A verdade, conta André, é que precisou de “ir para o estrangeiro para olhar para Ler mais

Miguel Carvalho sobre a rede terrorista de extrema direita no pós-25 de Abril

Sábado passado assinalaram-se 42 anos sobre o 25 de novembro de 1975. Nos livros da escola, nas conversas de café, nas retóricas dos partidos do centrão, a data é apresentada como o dia em que se travou o vírus comunista em Portugal. O país dera, então, os passos decisivos a caminho da Liberdade. Chegara o tempo da “normalização democrática”, contam-nos. E se não tiver sido assim? Sabemos que as tensões vividas desde a queda formal do Estado Novo e durante todo o Processo Revolucionário em Curso (PREC) se acumularam de tal forma no Verão Quente de 1975 que há poucas Ler mais

Sílvia Ouakinin e Patrícia Câmara, sobre a saúde mental

Todos vamos aos vários médicos do corpo, mas muitos poucos de nós fazem “check-ups” à mente. Há um estigma em falar de saúde mental, porque ter debilidades a nível piscológico é visto muitas vezes como um sinal de fraqueza do indivíduo. No entanto, é comum termos desordens na nossa mente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2013 mais de uma em quatro pessoas na Europa sofreram de algum tipo de desordem mental. O mercado de trabalho é apontado por muitos especialistas como um factor stressante, e que leva muitas vezes a um estado de “burnout”. Eventos mundiais como a Ler mais

Na Rua - Jéssica Lopes: “Há imigrantes que estão há mais de 2 anos à espera do cartão”

O último mês e meio trouxe mudanças significativas para a luta por “Documentos para todos” que o movimento de imigrantes em Portugal tem vindo a travar com as autoridades que regulam a imigração em Portugal. A agora ex-diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Luísa Maia Gonçalves, demitiu-se no início de Outubro depois de lhe retirada a confiança política por parte da Ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa. Quatro dias depois, demitiram-se também os dois Diretores Adjuntos do SEF, Joaquim Pedro Oliveira e António Carlos Patrício. Não foi preciso esperar mais do que duas semanas para que seguisse Ler mais

Na Rua - ImigrArte Itinerante na Zambujeira do Mar

No passado domingo, dia 12 de Novembro, a equipa do É Apenas Fumaça saiu à rua, viajando de autocarro com várias dezenas de imigrantes e ativistas desde a Rua da Madalena, na Baixa de Lisboa, até à Zambujeira do Mar, em Odemira, no Alentejo, para dar voz ao ImigrArte Itinerante. A freguesia onde dezenas de milhares de pessoas passam todos os anos uma semana do seu Verão durante o festival MEO Sudoeste, é também casa para centenas de imigrantes vindos dos mais variados países e que, dia sim dia sim, apanham as frutas e os legumes que enchem os supermercados Ler mais

Adrià Alsina Leal sobre a independência da Catalunha

No dia 1 de Outubro, há pouco mais de um mês atrás, mais de 2 milhões dos cerca de 5,4 milhões de catalães e catalãs foram às urnas votar a independência da Catalunha. As imagens da guarda civil e polícia espanholas a arrastar e carregar quem pacificamente tentava fazer valer o seu voto correram o mundo. O número de feridos multiplicou-se durante o dia chegando a mais de 800 até ao cair da noite. Quando tudo parecia mais calmo, ao final do dia, Mariano Rajoy, Primeiro-Ministro espanhol, dizia num comunicado ao país: “Fizemos o que tínhamos de fazer e Ler mais

Manuel Loff sobre a independência da Catalunha

A 18 de Junho de 2006 foi aprovado em referendo pelos Catalães e Catalãs o novo Estatuto de Autonomia da Catalunha. Este novo estatuto, que vinha substituir o de 1979 aprovado com o fim da ditadura de Franco, dizia, no seu preâmbulo, que a Catalunha era uma “nação”. O novo documento, aprovado também pelo Congresso dos Deputados e Senado Espanhol (com mudanças em relação ao texto original), dava mais poderes administrativos e fiscais à Catalunha e equiparava a língua catalã à castelhana. No entanto, apesar deste estatuto ter entrado em vigor a 9 de Agosto de 2006, foram várias as Ler mais

Fernando Rosas sobre os 48 anos da ditadura portuguesa

“Que o estado seja tão forte que não necessite ser violento” lia-se num panfleto de propaganda do Estado Novo. Era este o lema de Salazar. Matar era uma falha do sistema. O que se queria, antes, era que o povo não pensasse na política, não se manifestasse, não falasse, não saísse à rua, não reagisse. O Estado Novo, ao contrário de outras ditaduras, não matou centenas de milhares de pessoas. Mas nem por isso foi menos violento, defende Fernando Rosas, o nosso convidado de hoje. Segundo o historiador, havia uma “violência invisível” e preventiva que era exercida no quotidiano dos Ler mais

Gonçalo Marcelo sobre o Rendimento Básico Incondicional

(Fotografia: Reuters/Arnd Wiegmann) Suíça, 5 de Junho de 2016. O Rendimento Básico Incondicional vai a votos, num referendo feito à população Suíça e é esmagado com 77% de votos contra. Não era desta que o RBI chegava à Suíça, embora a discussão do mesmo estivesse presente nos meios académicos deste país desde a década de 80 do século passado. Mas a ideia de uma renda básica é ainda mais antiga. Nomes como Thomas Moore, Virginia Woolf ou Milton Friedman abordaram o assunto algures nas suas vidas, dando-lhe diferentes formas e feitios. Quisemos saber mais sobre como é pensado o Ler mais

Atualidade - Imigrantes em protesto dormem à porta do SEF

Ouve aqui a narração deste Atualidade: Quando os funcionários da delegação regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiros (SEF) de Lisboa passarem a porta do número 20 da Avenida António Augusto de Aguiar verão um cenário pouco habitual. Cerca de 20 imigrantes do Paquistão, Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka pernoitaram nas escadas toda a noite. Desde esta quarta-feira, 25, que se concentram em protesto contra a demora destes serviços em atribuir os títulos de autorização de residência. Trouxeram mantas, sacos-camas, alguma comida. Prometem não arredar pé. “Paguei 800 e tal euros pela autorização de residência e já passaram dois Ler mais

Na Rua - Entrega da Petição por Outra Lei da Nacionalidade

A lei da nacionalidade considera que quem nasce em Portugal não é automaticamente Português. Reginaldo Spínola, cenógrafo e curinga no Grupo de Teatro do Oprimido, nasceu em 1986 em Lisboa mas ainda não tem a nacionalidade Portuguesa. "Eu estou nesta luta desde que nasci", conta ao É Apenas Fumaça. Hoje Reginaldo quer ir para a faculdade mas diz não conseguir ter bolsa porque só tem a autorização de residência como imigrante, quer viajar mas só com visto, vai representar Portugal no estrangeiro pelo teatro mas é na prática cidadão de Cabo Verde. Também Cátia, que se juntou a Ler mais

Anabela Rodrigues sobre os estrangeiros que nasceram em Portugal

(Fotografia: Djass - Associação de Afrodescendentes) Reginaldo, mais conhecido por Pêra, nasceu em 1986 na Maternidade Magalhães Coutinho em Lisboa. É cenógrafo e curinga do Grupo de Teatro Fórum da Cova da Moura e do Zambujal, um dos grupos comunitários do Grupo do Teatro do Oprimido. Até hoje, apesar de ter nascido em Portugal e de sempre ter vivido cá, não é Português. Tem a nacionalidade dos pais e por isso tem de renovar regularmente a sua autorização de residência temporária no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Vive como um imigrante no país que o viu nascer e crescer. Como Ler mais

Na Rua - Contra a Poluição do Rio Tejo

(Fotografia: Frederico Raposo/É Apenas Fumaça) O Tejo precisa de água. António Constantino, residente em Vila Nova da Barquinha, conta que o castelo de Almourol já foi “uma ilha” e “neste momento é simplesmente uma península”. O seu filho, Paulo Constantino, outro rosto destacado na luta contra a poluição do rio mais extenso da Península Ibérica, ilustra a situação: ”as roupas das crianças que mergulham nas águas do rio entram brancas e saem amarelas”. A 3ª Manifestação Contra a Poluição do Rio Tejo e Seus Afluentes, organizada pelo ProTejo – Movimento pelo Tejo, desfilou, este sábado, dia 14 de outubro de Ler mais

David Crisóstomo sobre o trabalho nos bastidores da Assembleia da República

Em Julho de 2017, multiplicavam-se as notícias sobre o trabalho dos deputados da Assembleia da República nos media portugueses. Faziam-se rankings dos mais faltosos, falava-se daqueles que até poderiam "chumbar" por faltas, e apontava-se o dedo àqueles que não abriam a boca no plenário. O Jornal de Notícias, por exemplo, indicava os "dez deputados que não abriram a boca", o Observador, por sua vez, dizia que Maria Luís Albuquerque estava "perto de chumbar" por faltas, e o Público, num tom contabilístico, alertava para as 1517 faltas dadas pelos deputados, adiantando que o PSD e Ler mais

Especial: Eleições em Angola - Afinal, quem venceu as eleições?

Fotografia: Paulo Novais/Agência Lusa A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria. Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou Ler mais