Sílvia Ouakinin e Patrícia Câmara, sobre a saúde mental

Todos vamos aos vários médicos do corpo, mas muitos poucos de nós fazem “check-ups” à mente. Há um estigma em falar de saúde mental, porque ter debilidades a nível piscológico é visto muitas vezes como um sinal de fraqueza do indivíduo. No entanto, é comum termos desordens na nossa mente. Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2013 mais de uma em quatro pessoas na Europa sofreram de algum tipo de desordem mental. O mercado de trabalho é apontado por muitos especialistas como um factor stressante, e que leva muitas vezes a um estado de “burnout”. Eventos mundiais como a Ler mais

Na Rua - Jéssica Lopes: “Há imigrantes que estão há mais de 2 anos à espera do cartão”

O último mês e meio trouxe mudanças significativas para a luta por “Documentos para todos” que o movimento de imigrantes em Portugal tem vindo a travar com as autoridades que regulam a imigração em Portugal. A agora ex-diretora do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Luísa Maia Gonçalves, demitiu-se no início de Outubro depois de lhe retirada a confiança política por parte da Ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa. Quatro dias depois, demitiram-se também os dois Diretores Adjuntos do SEF, Joaquim Pedro Oliveira e António Carlos Patrício. Não foi preciso esperar mais do que duas semanas para que seguisse Ler mais

Na Rua - ImigrArte Itinerante na Zambujeira do Mar

No passado domingo, dia 12 de Novembro, a equipa do É Apenas Fumaça saiu à rua, viajando de autocarro com várias dezenas de imigrantes e ativistas desde a Rua da Madalena, na Baixa de Lisboa, até à Zambujeira do Mar, em Odemira, no Alentejo, para dar voz ao ImigrArte Itinerante. A freguesia onde dezenas de milhares de pessoas passam todos os anos uma semana do seu Verão durante o festival MEO Sudoeste, é também casa para centenas de imigrantes vindos dos mais variados países e que, dia sim dia sim, apanham as frutas e os legumes que enchem os supermercados Ler mais

Adrià Alsina Leal sobre a independência da Catalunha

No dia 1 de Outubro, há pouco mais de um mês atrás, mais de 2 milhões dos cerca de 5,4 milhões de catalães e catalãs foram às urnas votar a independência da Catalunha. As imagens da guarda civil e polícia espanholas a arrastar e carregar quem pacificamente tentava fazer valer o seu voto correram o mundo. O número de feridos multiplicou-se durante o dia chegando a mais de 800 até ao cair da noite. Quando tudo parecia mais calmo, ao final do dia, Mariano Rajoy, Primeiro-Ministro espanhol, dizia num comunicado ao país: “Fizemos o que tínhamos de fazer e Ler mais

Manuel Loff sobre a independência da Catalunha

A 18 de Junho de 2006 foi aprovado em referendo pelos Catalães e Catalãs o novo Estatuto de Autonomia da Catalunha. Este novo estatuto, que vinha substituir o de 1979 aprovado com o fim da ditadura de Franco, dizia, no seu preâmbulo, que a Catalunha era uma “nação”. O novo documento, aprovado também pelo Congresso dos Deputados e Senado Espanhol (com mudanças em relação ao texto original), dava mais poderes administrativos e fiscais à Catalunha e equiparava a língua catalã à castelhana. No entanto, apesar deste estatuto ter entrado em vigor a 9 de Agosto de 2006, foram várias as Ler mais

Fernando Rosas sobre os 48 anos da ditadura portuguesa

“Que o estado seja tão forte que não necessite ser violento” lia-se num panfleto de propaganda do Estado Novo. Era este o lema de Salazar. Matar era uma falha do sistema. O que se queria, antes, era que o povo não pensasse na política, não se manifestasse, não falasse, não saísse à rua, não reagisse. O Estado Novo, ao contrário de outras ditaduras, não matou centenas de milhares de pessoas. Mas nem por isso foi menos violento, defende Fernando Rosas, o nosso convidado de hoje. Segundo o historiador, havia uma “violência invisível” e preventiva que era exercida no quotidiano dos Ler mais

Gonçalo Marcelo sobre o Rendimento Básico Incondicional

(Fotografia: Reuters/Arnd Wiegmann) Suíça, 5 de Junho de 2016. O Rendimento Básico Incondicional vai a votos, num referendo feito à população Suíça e é esmagado com 77% de votos contra. Não era desta que o RBI chegava à Suíça, embora a discussão do mesmo estivesse presente nos meios académicos deste país desde a década de 80 do século passado. Mas a ideia de uma renda básica é ainda mais antiga. Nomes como Thomas Moore, Virginia Woolf ou Milton Friedman abordaram o assunto algures nas suas vidas, dando-lhe diferentes formas e feitios. Quisemos saber mais sobre como é pensado o Ler mais

Atualidade - Imigrantes em protesto dormem à porta do SEF

Ouve aqui a narração deste Atualidade: Quando os funcionários da delegação regional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiros (SEF) de Lisboa passarem a porta do número 20 da Avenida António Augusto de Aguiar verão um cenário pouco habitual. Cerca de 20 imigrantes do Paquistão, Índia, Bangladesh, Nepal e Sri Lanka pernoitaram nas escadas toda a noite. Desde esta quarta-feira, 25, que se concentram em protesto contra a demora destes serviços em atribuir os títulos de autorização de residência. Trouxeram mantas, sacos-camas, alguma comida. Prometem não arredar pé. “Paguei 800 e tal euros pela autorização de residência e já passaram dois Ler mais

Na Rua - Entrega da Petição por Outra Lei da Nacionalidade

A lei da nacionalidade considera que quem nasce em Portugal não é automaticamente Português. Reginaldo Spínola, cenógrafo e curinga no Grupo de Teatro do Oprimido, nasceu em 1986 em Lisboa mas ainda não tem a nacionalidade Portuguesa. "Eu estou nesta luta desde que nasci", conta ao É Apenas Fumaça. Hoje Reginaldo quer ir para a faculdade mas diz não conseguir ter bolsa porque só tem a autorização de residência como imigrante, quer viajar mas só com visto, vai representar Portugal no estrangeiro pelo teatro mas é na prática cidadão de Cabo Verde. Também Cátia, que se juntou a Ler mais

Anabela Rodrigues sobre os estrangeiros que nasceram em Portugal

(Fotografia: Djass - Associação de Afrodescendentes) Reginaldo, mais conhecido por Pêra, nasceu em 1986 na Maternidade Magalhães Coutinho em Lisboa. É cenógrafo e curinga do Grupo de Teatro Fórum da Cova da Moura e do Zambujal, um dos grupos comunitários do Grupo do Teatro do Oprimido. Até hoje, apesar de ter nascido em Portugal e de sempre ter vivido cá, não é Português. Tem a nacionalidade dos pais e por isso tem de renovar regularmente a sua autorização de residência temporária no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Vive como um imigrante no país que o viu nascer e crescer. Como Ler mais

Na Rua - Contra a Poluição do Rio Tejo

(Fotografia: Frederico Raposo/É Apenas Fumaça) O Tejo precisa de água. António Constantino, residente em Vila Nova da Barquinha, conta que o castelo de Almourol já foi “uma ilha” e “neste momento é simplesmente uma península”. O seu filho, Paulo Constantino, outro rosto destacado na luta contra a poluição do rio mais extenso da Península Ibérica, ilustra a situação: ”as roupas das crianças que mergulham nas águas do rio entram brancas e saem amarelas”. A 3ª Manifestação Contra a Poluição do Rio Tejo e Seus Afluentes, organizada pelo ProTejo – Movimento pelo Tejo, desfilou, este sábado, dia 14 de outubro de Ler mais

David Crisóstomo sobre o trabalho nos bastidores da Assembleia da República

Em Julho de 2017, multiplicavam-se as notícias sobre o trabalho dos deputados da Assembleia da República nos media portugueses. Faziam-se rankings dos mais faltosos, falava-se daqueles que até poderiam "chumbar" por faltas, e apontava-se o dedo àqueles que não abriam a boca no plenário. O Jornal de Notícias, por exemplo, indicava os "dez deputados que não abriram a boca", o Observador, por sua vez, dizia que Maria Luís Albuquerque estava "perto de chumbar" por faltas, e o Público, num tom contabilístico, alertava para as 1517 faltas dadas pelos deputados, adiantando que o PSD e Ler mais

Especial: Eleições em Angola - Afinal, quem venceu as eleições?

Fotografia: Paulo Novais/Agência Lusa A 23 de Agosto, a única certeza, para uns, era a de que José Eduardo dos Santos abandonaria depois das eleições gerais em Angola o poder que ocupava desde há 38 anos atrás. O país viu apenas dois presidentes após a descolonização e apenas um partido no poder. "42 anos já pesa”, diriam alguns dos dissidentes Angolanos, ativistas pela democracia. Para outros, a certeza era clara: nada mudaria. Dizia-nos Domingos da Cruz, há uns meses atrás, que não é possível existir alternância de poder em regimes autoritários. E por isso não vota. Não votou Ler mais

José Pereira sobre o Serviço Nacional de Saúde

"A «empresarialização» de hospitais constitui um vector essencial da reforma da gestão hospitalar em curso (...)” É assim que começa o segundo parágrafo da Resolução do Conselho de Ministros de 7 de Março de 2002, meses depois de António Guterres, Primeiro-Ministro do XIV governo, ter pedido a demissão. Um governo a 10 dias de novas eleições legislativas aprova, assim, uma resolução que urge tornar os hospitais públicos “mais vincadamente empresariais”. Mas será que um hospital deve ser gerido como uma empresa? Luís Filipe Pereira, Ministro da Saúde do governo seguinte, liderado por Durão Barroso, abraçou de uma maneira clara a Ler mais

Dito Dalí, um dos 15+2, sobre as eleições angolanas

A campanha eleitoral angolana teve início ontem, exatamente um mês antes das eleições gerais. 5 partidos e 1 coligação irão a votos. Na liderança do MPLA estará João Lourenço, atual Vice-Presidente do MPLA e Ministro da Defesa. Quanto ao atual presidente, José Eduardo dos Santos, não se recandidatará pela primeira vez e tudo indica que deixará a presidência de Angola passados 38 anos. Desde 2 de Maio que não aparece publicamente. Rafael Marques, jornalista e fundador do Maka Angola, escreve sobre o assunto dizendo que "ao que tudo indica, Dos Santos terá perdido a capacidade da fala, uma vez Ler mais

Piménio Ferreira sobre as comunidades ciganas em Portugal

A 1 de Março de 2017 a comunidade cigana de Santo Aleixo da Restauração acordou com os muros e paredes da sua freguesia pintados. Nesses muros lia-se "Morte aos Ciganos". Mas as ameaças não ficaram por aqui. Um cavalo foi envenenado, uma igreja incendiada, casas e carros queimados, caixões colocados à porta das casas, e bombas lançadas para os quintais, segundo uma denúncia da SOS Racismo. Nesta freguesia do concelho de Moura, no Alentejo, vive uma única família cigana que lá reside há mais de 15 anos em casas que foram comprando ao longo dos anos. Até 2016, Ler mais

Sedrick de Carvalho sobre as eleições angolanas

Simulacro eleitoral. É assim que Sedrick de Carvalho define o ato eleitoral que acontecerá em Agosto de 2017 em Angola. As eleições presidenciais, agendadas para o dia 23, marcarão o final da presidência de José Eduardo dos Santos, 38 anos depois de ter sido empossado pela primeira vez em 1979. Pelo MPLA, partido que está atualmente no poder, concorrerá João Lourenço, atual Ministro da Defesa e vice-presidente do partido. Mas o que vai mudar em Angola? A repressão - física e judicial - existe desde há muito. Em Portugal, foi notícia o processo “15+2” que levou à prisão de Ler mais

Regina Queiroz sobre Neoliberalismo, Democracia e Populismos

O ano é 2015. Numa reunião do Eurogrupo, Wolfgang Schauble, ministro das finanças Alemão, profere uma frase que virá a ficar célebre: “Eleições não podem interferir com as políticas económicas que estão a ser aplicadas na Grécia!” Momentos como este sustentavam a narrativa daqueles que se opunham ao sufoco que as políticas neoliberais começavam a causar pela Europa fora, de que o neoliberalismo saturava e testava os limites de uma Democracia, e de que tentava dizer que não havia alternativa. Hoje, a hegemonia neoliberal começa a estalar. Fogos, chamados de “populistas” acendem-se pela Europa, e os EUA já embarcaram na Ler mais

É Apenas Fumaça: Um Ano Depois, Vamos Continuar a Incomodar

Junho de 2016. Brexit. Trump. Síria. Refugiados. Luaty Beirão. Europeu de Futebol. Orlando. Temer. Caixa Geral de Depósitos. Cristiano Ronaldo. Estes eram os destaques que líamos, ouvíamos e víamos. Curiosamente, foi sob a luz destes temas que cobriam os jornais, enchiam as televisões e entupiam as rádios, que a Fumaça começou. Faz esta semana um ano. Falava-se do absurdo que seria um Brexit. Gozava-se com Donald Trump e dava-se como garantida a vitória de Hillary Clinton. Mostravam-se as bombas na Síria e os rostos dos refugiados nas fronteiras. Dizia-se que em Angola algo estava errado e pedia-se liberdade para Luaty. Ler mais

Sérgio Vitorino sobre o movimento LGBTI português

(Foto de António Almeida para o site Dezanove) Junho é o mês do Orgulho por causa dos acontecimentos no Stonewall-Inn, um bar em Nova Iorque, onde a 28 de junho de 1969 teve lugar uma das primeiras revoltas das pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Intersexo (LGBTI) contra as agressões policiais. Há celebrações em todo o mundo e também por cá, como a Marcha do Orgulho de Lisboa e do Porto ou o Arraial Pride. Falámos com Sérgio Vitorino, ativista de mil e uma causas pela igualdade, co-fundador da Marcha do Orgulho de Lisboa e do coletivo Panteras Rosa, entre outros, Ler mais