Jéssica Lopes sobre Imigração em Portugal

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Uma crise humanitária. É assim que a Jéssica Lopes define o que passam hoje os imigrantes indocumentados em Portugal na sua procura pela regularização no país. Falamos de quem viaja para cá à procura de uma vida melhor. De quem chega e encontra trabalho, de quem se esforça por ter um contrato, por descontar para a Segurança Social, e por pagar os seus impostos enquanto espera por notícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) sobre a sua regularização.

Espera. É esta uma das palavras mais ouvidas por quem procura ter autorização de residência em Portugal. São meses e anos de espera no que será, para alguns, a viagem mais longa das sua vidas, mesmo que tenham ficado os seus países de origem a milhares de quilómetros de distância.

Segundo a Jéssica, que é ativista na Solidariedade Imigrante e investigadora no CIES - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia de Lisboa, estes imigrantes estão hoje a pagar pelos erros e incompetências do SEF e do Governo português. Enquanto se submetem a condições de “escravatura” para que possam ter o contrato e os descontos necessários, faltam-lhes acessos básicos a saúde, habitação, educação.

Conversámos sobre o que tem de passar um imigrante após chegar a Portugal, sobre quem e como decide quem fica no país ou é convidado a sair; sobre o que acontece grávidas imigrantes quando estão a pouco tempo de dar à luz; sobre a diferença de tratamento para quem tem dinheiro para investir e para quem apenas procura uma vida melhor; e sobre como é aliado da realidade o discurso intercultural que os portugueses promovem.

Até já,
Ricardo Ribeiro.

Créditos para a fotografia: bomdia.eu

Acreditamos que o papel da comunicação social é escrutinar a democracia. Se acreditas no mesmo e queres continuar a ouvir falar de temas como racismo, educação, religião, direitos LGBT, alterações climáticas, transparência e corrupção, contribui aqui.

Rua do Mundo - Episódio 4 Turquia a partir de Amesterdão

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Vais ouvir conteúdo original da Rua do Mundo, um podcast sobre política internacional com Bernardo Pires de Lima, Mónica Ferro, Rui Tavares e Sofia Lorena.

Olhamos para a Turquia antes do referendo a partir das eleições na Holanda. Decretamos o óbito da relação entre Ancara e Bruxelas e damos um salto a Istambul, ao encontro do Pedro Penim. Houve Holanda para lá de Wilders mas parece não existir Turquia para lá de Erdogan.

Créditos para a imagem: Yasin Akgul—AFP/Getty Images

Na Rua - Evento Cultural Por Outra Lei da Nacionalidade

No passado sábado, o É Apenas Fumaça esteve no Evento Cultural Por Outra Lei da Nacionalidade onde mais de 200 pessoas fizeram política no Rossio, enquanto dançavam, cantavam e debatiam a Lei da Nacionalidade atual, e como dizem ser injusta para os filhos de emigrantes que nascem em Portugal.

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Hoje, quem nasce em Portugal não é automaticamente português. A lei diz que apenas nascem portugueses os que tiverem pai ou mãe portuguesa, ou os "filhos de estrangeiros que aqui residam com título válido de autorização de residência há, pelo menos, 6 ou 10 anos, conforme se trate, respectivamente, de cidadãos nacionais de países de língua oficial portuguesa ou de outros países”.

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Antes de 1981, ano em que esta lei da nacionalidade entrou em vigor, quem nascia em Portugal era português. Com a lei, isso mudou. E ao mudar, deixou milhares de pessoas que cá nasceram a lutarem para serem um dia portuguesas. Hoje, muitas ainda não o são. Pelo meio, necessidades básicas deixaram de ser garantidas, e direitos humanos deixaram de ser respeitados a quem sempre achou que era português. A essas, o Estado pede-lhes que lutem por ser imigrantes legais.

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Conversámos com o Naki, que nos falou sobre os direitos que o seu filho de 2 anos tem negados por não ser português nascendo no país. Falámos também com o José Pereira, sobre a história da Lei da Nacionalidade e sobre como esta luta é, nas suas palavras, uma questão de justiça. Falámos com a Nancy Mendonça sobre os seus amigos que nasceram em Portugal e não são portugueses; com a Cyntia Sagna, a Cátia e a Telma, que contaram as suas histórias pessoais; e com o Vicente, que nos contou como o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras trata mal os imigrantes.

P.S.: Acreditamos que o papel da comunicação social é escrutinar a democracia. Se acreditas no mesmo e queres continuar a ouvir falar de temas como racismo, educação, religião, direitos LGBT, alterações climáticas, transparência e corrupção, contribui aqui.

Alexandre Farto (ou Vhils) sobre o Ativismo pela Arte

Hoje temos novamente Fumaça, e conversamos com o Alexandre Farto (também conhecido por Vhils) sobre o Ativismo pela Arte.

No Brasil, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos falavam alto, em dimensão, em dinheiro, em poder, e em mediatismo. O dinheiro que traziam para o Governo era muito, e o que se gastava nele era muito também. O Rio iria ser festa dois anos seguidos, e fora do país todo o mundo se juntava à excitação. A Copa e os Jogos Olímpicos no Brasil. Quem diria que não?

Ao mesmo tempo, nas ruas do Brasil, passavam e gritavam aqueles sem dimensão, sem dinheiro, e sem poder. E falavam alto, mas sem mediatismo. As sondagens mostravam que mais de metade dos brasileiros não queriam que os Jogos Olímpicos fossem no seu país e vinham eles para a rua protestar os 12 a 20 mil milhões de dólares investidos, os cortes na saúde, na educação, e os mais de 80,000 despejos em 8 anos.

Por consequência da construção de um teleférico a tempo dos Jogos Olímpicos, foi a vez do Morro da Providência, a favela mais antiga do Rio, ser ameaçada. Mais de uma centena de casas foi demolida e milhares de pessoas tiveram de ser realojadas. Num projeto chamado “Providência”, Vhils, com quem conversamos hoje, eternizou os retratos de quem foi forçado a sair e cravou-os nas casas que abandonavam.

Este foi apenas um das dezenas de projetos que o Alexandre Farto (também conhecido por Vhils) fez ao longo dos últimos anos, com o objetivo de trazer aos olhos do mundo aquilo que é invisível. Desde o Brasil aos protestos da Ucrânia, à Europa e à Angela Merkel, à China e em Portugal, os seus graffitis e esculturas trazem carregadas mensagens políticas e sociais.

Conversámos sobre os seus diferentes projetos, mas também sobre o papel do Estado na arte e na cultura, sobre as cidades e o que lhes está invisível, sobre o pós 25 de Abril e os seus murais, e sobre como o graffiti deve ou não ser ilegal.

Oiçam aqui mais um episódio.

Até já,
Ricardo Ribeiro.

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Atualidade - Domingos da Cruz sobre a Liberdade Científica em Angola

Domingos da Cruz, ativista angolano pela democracia em Angola que esteve preso por mais de um ano no processo 15+2, lança hoje um relatório com o nome “Democracia académica e liberdade científica em Angola” para o qual entrevistou mais de 100 professores e investigadores angolanos.

Entre outras conclusões, o chocante estudo mostra que 1 em cada 3 inquiridos assume que "Acredita que pode ser perseguido, ameaçado, expulso do serviço ou morto por dar aulas seguindo o rigor científico" e 55% dizem que "existe ou conhecem estudantes que o seu papel é de agente secreto para vigiar professores e alunos".

Conversámos o Domingos, neste episódio de Atualidade, sobre o que este relatório mostra, sobre o que se passa dentro comunidade científica em Angola, e sobre as eleições angolanas que se vão realizar este ano.

Podes ler todo o relatório aqui. Para ouvires a nossa conversa sobre o Regime Angolano com o Domingos da Cruz, lançada há alguns meses atrás vai aqui.

Até já,
Ricardo Ribeiro

Créditos para fotografia: Rede Angola

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Maria Antónia Palla sobre Feminismo, Jornalismo de Causas, e o Aborto

Esta semana lançamos uma Fumaça mais longa do que é costume. Falámos com a Maria Antónia Palla, feminista emblemática, jornalista, e ativista pelos direitos das mulheres.

Em 1976, Maria Antónia Palla e Antónia de Sousa, tinham uma série de programas na RTP, onde faziam reportagens sobre a situação das mulheres em Portugal. Tudo seguia o seu rumo, até ao dia em que uma das peças chocou o país. Choveram críticas, ameaças, e insultos, foi instaurado um processo crime e a série cancelada. Tinham falado de aborto.

A reportagem, com o título "Aborto não é crime", pôs Maria Antónia Palla no banco dos réus. Na altura, em Portugal, segundo as estimativas, praticavam-se cerca de 100 mil abortos por ano.

A clandestinidade das interrupções da gravidez foi-se mantendo ao longo das décadas, bem como a luta de Maria Antónia Palla pela sua despenalização. Foi apenas em 2007, que a jornalista e ativista, nascida em 1933, viu o aborto deixar de ser crime.

Durante esta conversa, que hoje lançamos excecionalmente em duas partes, falámos disto e mais um pouco. Conversámos sobre o facto de ser das poucas mulheres jornalistas antes do 25 de Abril, de quando foi censurada por escrever sobre o Maio de 68, de como lidava com a PIDE, da reportagem que fez sobre o aborto, em 1976, do seu jornalismo de causas, e de como lutou afincadamente pelos direitos das mulheres em Portugal.

Na verdade, foram histórias de uma vida a lutar pela liberdade. Poderíamos ter ficado a tarde toda a conversar. Falaríamos de muitos mais assuntos relacionados com as mulheres: como a igualdade perante a lei, a desigualdade salarial ou o papel na política e no jornalismo. Tínhamos, aliás, planeado uma conversa com perguntas sobre todos estes temas… mas fizemos apenas 6. Muitas questões ficaram no papel, outras tantas entaladas nas nossas gargantas. Deixámo-nos paralisar, num misto de receio e admiração, pelas histórias, os detalhes e a vida de Maria Antónia Palla. O tempo foi passando e só desligamos os microfones quando nos apercebemos que tínhamos ultrapassado em muito o tempo habitual das nossas conversas. Por esse motivo, lançamos hoje este episódio em duas partes.

Foi, para mim, um prazer ouvi-la, e espero que para ti, ao ouvires este episódio no Dia Internacional da Mulher, também o seja.

Até à próxima,
Maria Almeida

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Rua do Mundo - Episódio 3 A verdade sobre a pós-verdade

Vais ouvir conteúdo original da Rua do Mundo, um podcast sobre política internacional com Bernardo Pires de Lima, Mónica Ferro, Rui Tavares e Sofia Lorena.

Um debate sobre a verdade da pós-verdade, o império dos factos alternativos, a destruição da credibilidade noticiosa e política. Com os quatro suspeitos do costume e a convidada especial Helena Ferro de Gouveia, jornalista na Alemanha há vinte anos.

Créditos para a imagem: The Holmes Report

Na Rua - 2º Encontro Nacional pela Justiça Climática

O É Apenas Fumaça esteve Na Rua, no 2º Encontro Nacional pela Justiça Climática que teve lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Mais de uma centena de pessoas estiveram durante o dia juntas na defesa de justiça climática e pelo combate às alterações climáticas e à prospecção e exploração de combustíveis fósseis em Portugal e pelo Mundo.

Conversámos com João Costa da iniciativa "Tecer Linha Vermelha", que nos explicou o papel de Portugal depois da COP21 na sua relação com a exploração petrolífera.

Conversámos também com a Bárbara de Sá, da Associação de Estudantes da FCSH, sobre a importância da desobediência civil e do ativismo pela ação direta.

Com o José Oliveira, da "Plataforma Não aos Tratados Transatlânticos", sobre como o CETA e o TTIP beneficiam as empresas e não a sociedade.

A Margarida Silva, do Corporate Europe Observartory, falou-nos sobre o lobbying na União Europeia e como ele impacta a nossa democracia.

O Miguel Teixeira, disse-nos porque o assusta o rumo do mundo em relação às alterações climáticas.

Porque a Fumaça também se faz Na Rua, ouve aqui mais um episódio.

Nota: Fotografia retirada do episódio Na Rua - Manifestação Salvar o Clima, Parar o Petróleo.

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José Pacheco sobre Educação e Modelos Alternativos de Ensino

A Escola da Ponte nasce em 1976, com o intuito de tirar do papel, e pôr em prática diferentes formas de ensinar. Tem como mote ensinar “liberdade responsável” solidariedade e cidadania. É uma escola sem turmas, onde não existem salas de aula tradicionais, e todos podem trabalhar com todos. José Pacheco, o convidado do É Apenas Fumaça desta semana, foi um dos seus fundadores. Hoje é também dinamizador do projeto Âncora no Brasil.

Nos episódios que gravamos por Skype (como este), deparamos-nos sempre com uma maior dificuldade em estar confortáveis, e em que os nossos convidados se sintam também confortáveis. Com José Pacheco isso não foi problema, e parecia que estávamos todos na mesma sala, e não separados por milhares de quilómetros. A conversa, sobre o passado, presente e futuro da educação, modelos alternativos de ensino, e o desempenho dos últimos Governos Portugueses na pasta da Educação, voou, e acabou no que pareceu um instante.

Ouve aqui mais um episódio.

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Sham sobre a Síria, antes e depois da guerra, pela voz de quem a viveu

Esta semana o episódio é diferente. Falámos sobre a Síria com a Sham, nome fictício de uma estudante Síria a viver em Portugal.

A 16 de Fevereiro de 2011, um rapaz de 14 anos pegou numa lata de tinta preta, olhou para uma parede da sua escola, riu-se e pintou-a. Os amigos, mais velhos, que pressionaram para o que tivesse feito, riram também e orgulharam-se da pequena partida. No dia seguintem, na escola, não se falava de outra coisa.

Tinham pintado a parede onde agora estava escrito: "É a tua vez, doutor". O "doutor" era Bashar al-Assad, líder do regime Sírio que é também médico oftalmologista, e sugeria a queda do ditador como se tinha visto na Túnisia com Ben Ali, e pouco depois no Egito com a queda de Mubarak.

Logo depois da travessura os rapazes foram presos pelo regime. Foram presos e torturados. Arrancaram-lhes as unhas, levaram choques eléctricos, e foram espancados. E um deles, o Hamza Ali al-Khateeb, foi mesmo torturado até à morte.

De seguida começaram os protestos, e começou uma revolução que desencadeou uma das mais violentas guerras civis que hoje se mostra em escassos minutos de telejornal.

Sham esteve nesses protestos, que tão bem descreve no episódio, e falá-nos da Síria antes de tudo isto acontecer. Conversamos sobre a Síria antes da guerra, sobre como começaram os protestos, sobre a reação do regime de Bashar al-Assad, a crise de refugiados, o Daesh, e o que se passa hoje em Damasco, onde a família de Sham ainda vive.

Ouve aqui este episódio e diz-nos o que achas. Excepcionalmente este episódio é em inglês porque, apesar da Sham falar um pouco de português, sente-se mais confortável em inglês. Mas, podes ler a tradução aqui.

Créditos da foto: AFP 2016 / Ameer Alhalbi

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Sampaio da Nóvoa sobre as Eleições Presidenciais e sobre Educação em Portugal

O episódio que vos trazemos esta semana, tem como convidado o Professor António Sampaio da Nóvoa, candidato às eleições presidenciais em 2016, e antigo reitor da Universidade de Lisboa.

Durante 45 minutos, falámos das eleições, da sua campanha e estratégia, do actual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa e do seu desempenho, da carta de Cândido Ferreira, e de outros acontecimentos e factos relevantes à volta da corrida a Belém.
Abordámos ainda os desenvolvimentos recentes à volta de questões relacionadas com Educação. A precariedade de investigadores e professores no Ensino Superior e o aumento significativo das propinas na última década, foram alguns dos tópicos sobre os quais nos debruçámos.

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Esther Mucznik sobre o Judaismo

Esta semana falamos sobre judaísmo, em novo episódio da série de religião. A convidada é Esther Mucznik e quisemos fugir às judiarias. Procurámos saber como é, para a fundadora da Associação Portuguesa de Estudos Judaicos e membro da Comissão Nacional de Liberdade Religiosa, ser judeu, ser de um povo que “tem casa em todo o lado, mas não tem casa em lado nenhum”. Não fugimos ao desafio de aprofundar e iluminar a génese da religião judaica, assim como a cisão desta com o cristianismo, e quisemos perceber de que modo é sentido hoje o antissemitismo, dentro e fora de portas.

Em 1947, foi aprovada a resolução 181 da Organização das Nações Unidas, que previa a divisão de territórios entre judaicos e árabes. Pertence um judeu a Israel? Pertencerá Israel aos judeus? Existirá algum tipo de relação entre um projecto político e uma religião?

Ouve aqui o episódio.

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Rua do Mundo - Episódio 1 Trump, os primeiros 15 dias e as consequências para o mundo

Vais ouvir conteúdo original da Rua do Mundo, um podcast quinzenal sobre política internacional com Bernardo Pires Lima, Mónica Ferro, Rui Tavares e Sofia Lorena. Neste primeiro episódio, Tomé Andrade, correspondente em Hanói, partilha connosco uma visão a partir do extremo-oriente.

A Rua do Mundo é um podcast que parte de uma premissa simples: a distinção entre temas nacionais e internacionais é cada vez mais irrelevante. O mundo não é qualquer coisa que está lá fora a ser experimentado no momento em que saímos do país. O mundo é mesmo a primeira coisa que acontece quando pomos o pé no chão.
Rua d'O Mundo era o nome de uma rua que em tempos existiu em Lisboa. É uma rua em que milhares de Lisboetas de todas as origens passam todos os dias. Tiraram o mundo do nome da rua, mas o mundo continua lá.
E a Rua do Mundo recomeça hoje aqui em conversas quinzenais com
Bernardo Pires de Lima
Mónica Ferro
Rui Tavares
Sofia Lorena
E uma rede de correspondentes pelo Mundo.

Neste primeiro episódio fala-se sobre Trump, os primeiros 15 dias enquanto Presidente dos Estados Unidos da América, e as consequências para o mundo. À conversa junta-se ainda
Tomé Andrade, correspondente da Rua do Mundo em Hanói.

Na Rua - Vigília Fechar Almaraz

Em frente à embaixada de Espanha, em Lisboa, voltaram a ouvir-se palavras de ordem contra a energia nuclear e pelo fecho da Central Nuclear de Almaraz, que se localiza a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, na província de Cáceres.

A “Vigília Fechar Almaraz” foi o culminar de uma conferência internacional antinuclear que juntou mais 250 cientistas, técnicos, ativistas e cidadãos, na Fábrica do Braço de Prata, na zona ribeirinha oriental da capital. Ironicamente, aconteceu um dia depois de se saber que em Fukushima, Japão, na central nuclear destruída por um terramoto e tsunami, em março de 2011, os níveis de radiação nunca estiveram tão altos.

Por Portugal, há muito tempo que não se ouvia falar tanto do tema. O país não tem instalações para enriquecimento de urânio ou produção para fins comerciais desta energia. Mas Espanha tem. Sete centrais nucleares em funcionamento. E, de Espanha, vêm os ventos e as águas do Tejo que, em caso de acidente em Almaraz, espalhariam rapidamente a radiação pelo território nacional.

Porquê o receio? A Central de Almaraz devia devia ter encerrado em 2010, mas o tempo de vida foi prolongado até 2020. Na sua história, conta com mais de uma centena de paragens, incidentes, problemas e acidentes, peças defeituosas. Em dezembro passado, o governo espanhol aprovou a construção de um novo armazém para os resíduos nucleares nos terrenos da central, o que levou ambientalistas ibéricos à conclusão de que se queria estender, até 2030, o funcionamento dos reatores.

Começou uma contenda política e diplomática entre Portugal e Espanha e as vozes de ecologistas e cidadãos dos dois lados da fronteira têm-se ouvido cada vez mais.

Na vigília organizada pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), não faltaram cartazes, música e muita chuva. Tanto que não conseguimos saber o nome das aguerridas espanholas com quem começamos o Na Rua. Ouvimos António Eloy, dirigente do MIA e um histórico ativista contra o nuclear em Portugal, considera que o Ministro do Ambiente é incompetente para lidar com a situação; Luís Rodenas, enrolado numa gigante bandeira republicana espanhola explicou como a monarquia e o nuclear estão ligados; e Diogo Lisboa, dirigente da Quercus, defende que o governo Português tem de se fazer ouvir.

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Daniela Bento sobre Transexualidade e Pessoas Trans

Madrugada de 28 de junho de 1969. A noite seria divertida e extravagante, como sempre no Stonewall-Inn, um bar em Nova Iorque, EUA. Música, álcool, drogas e muita gente fora da norma. A polícia apareceu para uma das habituais rusgas. Voltou a bater e prender a clientela habitual: gays, lésbicas, transexuais, pessoas travestidas, migrantes.

Mas dessa vez, foi diferente, houve resistência. Várias drag queens negras e mulheres trans levantaram-se contra a violência policial e enfrentaram as autoridades. O rastilho pegou. Nos dias seguintes houve protestos, confrontos e motins que juntavam cada vez mais gente e tinham o apoio da comunidade local.

A Batalha de StoneWall, como ficou conhecida, deu origem a um movimento global de luta pelos direitos e defesa das pessoas LGBT. Todos os anos, mundo fora, desde 1970, nas últimas semanas de junho ou primeiras de agosto há marchas que celebram o Orgulho LGBT.

De todas as letras que formam a sigla arco-íris a menos conhecida é a última. O que quer dizer o T? Significa transexual ou transgénero? Há diferenças? São gays ou não? É o mesmo que travesti?

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a transexualidade é uma doença psiquiátrica. Será mesmo? A pessoas trans dizem que não. Reivindicam um quadro legal baseado na autodeterminação de género. Sem anos de espera por avaliações e relatórios. Sem médicos a autorizar ou desautorizar quem se sentem. Já assim é na Argentina (2012) ou em Malta (2015), por exemplo.

Por cá, Bloco de Esquerda, PAN e Partido Socialista preparam alterações legais no mesmo sentido - a despatologização. Contudo, coletivos e associações trans temem mais dificuldades no acesso a cuidados médicos, sobretudo no Serviço Nacional de Saúde, que é acusado de não dar respostas atempadas e satisfatórias.

Que negócios e relações de poder se escondem numa lei? Que legitimidade têm médicos, psicólogos ou políticos para decidir sobre a identidade de uma pessoa? O que são pessoas trans? Há transfobia em Portugal? O que quer isso dizer?

Falámos com a Daniela Bento, rapariga trans e coordenadora do GRIT - Grupo de Reflexão e Intervenção Trans da ILGA Portugal, que acompanha de perto as angústias e aspirações da comunidade.

Créditos da Fotografia: Portugal Gay

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Pablo Capilé sobre a Situação Política no Brasil e o Movimento #ForaTemer

Conheci o Pablo Capilé, fundador da Mídia Ninja, um projeto de media independente e colaborativo, em Outubro do ano passado, dias antes das eleições municipais no Brasil. O Pablo foi o convidado de uma das sessões do DocLisboa, o ciclo #ForaTemer, que juntava numa espécie de documentário vários vídeos gravados por smartphones e pelas mãos de ativistas enquanto se manifestavam antes, durante, e depois do processo de impeachment. Protestavam tanto a favor de Dilma e contra “o golpe” (como lhe chama o Pablo), como contra o governo e o aumento dos preços dos transportes públicos em algumas cidades do Brasil. Na discussão que se seguiu ao documentário, falou-se do “golpe” e o impacto que ele teve no Brasil, e também do papel da Mídia Ninja na cobertura dos movimentos sociais no Brasil como um meio alternativo que deu voz a quem não aparecia nos meios de comunicação tradicionais.

Passados 3 meses, quando o assunto se já evaporou da comunicação social portuguesa, e depois de os meios tradicionais nos terem entretido com o estranho espetáculo da declaração de voto dos deputados no processo de impeachment, o É Apenas Fumaça quis aprofundar o processo e dar voz ao lado que pouco se ouviu por aqui: o lado de quem protesta nas ruas brasileiras.

A 31 de Agosto de 2016, Dilma Rousseff deixou de ser Presidente do Brasil. Mas por que razão? Por corrupção? Quem liderou o processo de impeachment? Como ele aconteceu? Conversámos com o Pablo sobre isto e também sobre os protestos e ocupações que desde o ano passado acontecem, e que ainda hoje continuam; sobre a corrupção no Brasil; sobre as medidas tomadas pelo governo de Temer até hoje; sobre quem foi escolhido para fazer parte desse governo; e sobre o estado da Imprensa no país.

Créditos da Fotografia: Mídia Ninja

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Na Rua - Marcha das Mulheres Lisboa #NãoSejasTrump

Ontem, milhões de pessoas por todo o mundo juntaram-se para resistir ao mandato do novo presidente dos Estados Unidos. A Marcha das Mulheres, inciada em Washington, teve repercussões em todos os continentes e em cerca de 60 países, desde o México, Alemanha, França, Bélgica, Japão, Reino Unido, Zâmbia, Uruguai, Macau, Líbano, Quénia, Austrália, Iraque, Antártida entre outros. Em Portugal, a marcha trouxe pessoas para as ruas em 5 cidades e o É Apenas Fumaça reportou desde a marcha em Lisboa, à porta da Embaixada dos EUA.

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O protesto, que se formou como parte do movimento feminista e que quis trazer à atenção o perigo que a presidência do Donald Trump significa, acompanhou-se de muitos outros movimentos, que não só se representaram mundialmente nas mais de 600 manifestações que existiram, como também em Lisboa, onde centenas de pessoas defendiam causas como as dos direitos LGBT, a igualdade racial, a defesa das minorias religiosas e o respeito pelos animais.

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Conversámos com a Daniela Bento, que faz parte da Direção da ILGA, sobre as lutas LGBT em Portugal e no Mundo, e como a presidência Trump as pode influenciar. Falámos também com a Emily Almeida e o Andrew, americanos a viver em Portugal, sobre o que levou à eleição de Trump e sobre o mandato de Obama; e com o David Crisóstomo, administrador da página Mulher Não Entra, sobre o estado da representação feminina nas organizações, empresas e comunicação social portuguesas. A Joana Grilo, uma das organizadoras do protesto e do espaço cultural Com Calma, explicou-nos que causas estiveram representadas ontem.

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João dos "Truques da imprensa portuguesa" sobre a Comunicação Social em Portugal

Esta semana lançamos Fumaça com o João, um dos gestores anónimos da página "Os truques da imprensa portuguesa".

Tínhamos muitas perguntas para fazer ao gestor de uma página de Facebook que tem vindo a "policiar" os meios de comunicação em Portugal, causando muita polémica pelo caminho. Ainda recentemente no Congresso dos Jornalistas em Lisboa era notório o desconforto de alguns jornalistas perante tanto "truque" denunciado sem dar a cara.

Mas, enquanto a uns se ferem susceptibilidades, a outros se vai esclarecendo o que é publicado pela comunicação social. É que uma simples página de Facebook tem hoje mais de 100 mil seguidores, milhares de publicações e de partilhas. Os Truques conquistaram o seu espaço, com seguidores fervorosos, críticos convictos e muitos dedos apontados à imprensa Portuguesa. Atualmente já influenciam e fazem com que se editem notícias, mudem imagens, e retifiquem reportagens.

Quisemos saber mais sobre "Os Truques", ir para além de tanto fumo e fogo, e fazer as perguntas que ainda não lhes tinham sido feitas. Falámos sobre o que é, ou não, um truque, sobre o papel do jornalismo e de quem o consome, a questão do anonimato da página e da parcialidade, e do futuro da imprensa Portuguesa.

Esta é a primeira grande entrevista d' "Os Truques da Imprensa Portuguesa". Ouve aqui este episódio.

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B Fachada sobre Música de Intervenção, a História de Portugal e a Política de Hoje

Esta semana a fumaça faz-se com o B Fachada, cantor, músico e escritor de canções, num episódio que nos trocou as voltas.

Isto porque na altura em que convidámos o B Fachada o plano era falar sobre música de intervenção. Mas, na verdade, este plano só se manteve até ao momento em que começámos a gravar. É que assim que a conversa começou logo percebemos que não nos ficaríamos por ali.

Da música de intervenção ao Estado Novo, dos Vampiros do Zeca aos Lusíadas do Camões, do Trump aos movimentos sociais na Europa, entrámos numa conversa que foi mais ou menos como calha.

Ouve aqui o episódio que bem poderia ter sido numa mesa de café, com um músico que muito tem a dizer sobre o mundo.

Créditos Fotografia: Facebook B Fachada

Ana Brazão e Pedro Santos sobre o Plano Nacional de Barragens

A Fumaça entra no novo ano com um assunto que, desde cedo, carece de escrutínio: o Plano Nacional de Barragens. Apresentado como indispensável para o cumprimento de metas ambientais e com o objectivo de aproveitar o potencial hídrico português, acarreta, também, custos para a carteira dos contribuintes e para o ambiente, numa realidade que parece distanciar-se da retórica política e numa afronta direta à ideia de energia verde.

Fomos conversar com a Ana Brazão e o Pedro Santos, do projecto Rios Livres GEOTA, que têm desempenhado um papel muito activo na divulgação do impacto social e ambiental do plano junto das populações locais e na sensibilização da opinião pública, mas também do poder local e central, para a emergência de uma discussão séria e inclusiva sobre as reais necessidades de investimento em megaprojetos de produção de energia hidroelétrica.

A discussão deste programa foi sorrateira e não incluiu todos os interessados. Em 2007, o Plano Nacional de Barragens foi aprovado e o que era de todos passou a privado.

A destruição de formas de subsistência de várias populações e do nosso património natural, assim como o avultado investimento que pode revelar-se não tão proveitoso quanto nos é feito crer, foram temas centrais do primeiro episódio de 2017.
Terá este plano sido elaborado com o melhor interesse do país em mente? Quem ficou a ganhar? E, já agora, o que podemos esperar deste governo?

Catarina Príncipe sobre a Europa e os Movimentos Sociais

Falámos desta feita com a Catarina Principe. A Catarina é a autora do livro “Europe in revolt – Mapping the new European Left”, faz parte da Comissão Política do Bloco de Esquerda, e escreve para a Jacobin Magazine.

Durante cerca de 35 minutos, falámos com ela sobre o estado actual do Projecto Europeu e da UE, passando pela situação Grega, pelo ressurgimento de movimentos nacionalistas na Europa e pelo aparente desmoronamento do consenso neo-liberal Europeu. Falámos também de quais são os vários caminhos perante os cenários que se vão adivinhando, e qual o papel que movimentos sociais de várias naturezas podem ter daqui para a frente na Europa.

Nota: Existe, ao minuto 29, um corte de alguns segundos na gravação que é da total responsabilidade do É Apenas Fumaça.

Rita Silva sobre o Programa Especial de Realojamento e o Direito à Habitação

“Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.”, lê-se no artigo 65º da Constituição da República Portuguesa. O Programa Especial de Realojamento (PER) tinha como base realojar em casas dignas, pessoas que viviam em habitações com condições desumanas. O PER foi aprovado em 1993. Hoje, ainda não foi totalmente implementado. Começando pelos números: o PER identificou, entre 1993 e 1995, cerca de 48 mil famílias com necessidades de realojamento. Passadas duas décadas, o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana estimou que a taxa de execução do programa estava em, pelo menos, 92%. Se olharmos para os números, parece-nos que tudo está a correr bem. Nós quisemos ir para além da fumaça.

Conversámos com a Rita Silva, Técnica de Desenvolvimento Comunitário, membro do Bloco de Esquerda e do Habita - Colectivo pelo Direito à Habitação e à Cidade, sobre que famílias estavam ao abrigo do PER; sobre quem ficou de fora e que alternativas lhes foram apresentadas; sobre como foram feitas as demolições dos bairros de barracas, e como foram feitos os realojamentos; sobre o Direito à Habitação, e sobre quem tem acesso a ele.

Créditos da fotografia: www.saramatos.com

Links

1’ - “Santa Filomena. Os dramas por detrás das demolições”, João de Almeida Dias, Observador
http://observador.pt/especiais/santa-filomena-os-dramas-detras-das-demolicoes/

Faranaz Keshavjee sobre o Islão

Recentemente numa 'conversa de café', que hoje se fazem mais em caixas de comentários no Facebook, alguém dizia, "o Islão é uma religião violenta e o Alcorão incita à violência", acrescentando ainda que nos países muçulmanos as mulheres são "apedrejadas e decepadas".

Mas e o que é que uma mulher, muçulmana, especialista sobre o Islão e sociedades muçulmanas na Universidade de Cambridge e investigadora associada no CEI-IUL, tem a dizer sobre o Islão e tudo isto?

Foi isso que quisemos saber numa conversa com a Faranaz Keshavjee, neste segundo episódio da nossa série de religião.

Procurámos ver para além da fumaça do preconceito e perceber a segunda maior religião do mundo com cerca de 1.6 mil milhões de seguidores. Falámos sobre o início do Islão, do Alcorão, dos direitos das mulheres, de terrorismo e do daesh, e muitos outros temas.

Francisco Louçã sobre o Capitalismo

Neste episódio abordámos um tema muito vasto e complexo: O Capitalismo. Fomos ao ISEG, falar com o Francisco Louçã, Doutorado em Economia, fundador do Bloco de Esquerda e Conselheiro de Estado para ele nos oferecer uma perspectiva crítica deste sistema económico e social, segundo o qual as sociedades Ocidentais, e muitas outras, se organizam nos dias de hoje.

Durante pouco mais de meia hora, falámos sobre a história do Capitalismo, quais as suas origens, as várias transformações que sofreu e as críticas que lhe foram sendo feitas. Falámos sobre o Capitalismo actual, sobre neo-liberalismo e a sua influência no processo democrático, e em instituições como a União Europeia. Olhámos também para o futuro. Procurámos debruçar-nos sobre para onde seguem as sociedades capitalistas. Quais as várias transformações que podem vir a sofrer numa era onde a inovação tecnológica acontece a uma velocidade estonteante. Falámos de possibilidades como a “Uberlândia”, regimes autocráticos e de soluções para o futuro como o Rendimento Básico Incondicional.

António Pedro Dores sobre as Prisões em Portugal

Conversámos com António Pedro Dores, doutorado em Sociologia pelo ISCTE, docente do ramo Sociologia da Violência, e membro da Associação Contra a Exclusão e pelo Desenvolvimento.

Falámos sobre as prisões como mecanismo de discriminação e legitimação, o ciclo vicioso da institucionalização, a corrupção nos serviços prisionais e no sistema judicial, e os contornos perversos do proibicionismo.

As prisões são feitas para quem? Quem são os presos? Porque não se fala das prisões?

Juan Branco sobre Whistleblowers, Wikileaks, Assange e as Eleições Americanas

Uma das mais importantes características da Democracia é a fiscalização do povo em relação às decisões que os seus representantes tomam, e apenas o acesso à informação sobre essas decisões torna isso possível. Desde sempre governos esconderam informação de interesse público: desde a guerra do Vietname à invasão do Iraque, entre muitas outras situações; desde sempre whistleblowers existiram: desde o Daniel Ellsberg até aos mais recentes Edward Snowden e Chelsea Manning, entre muitos outros que o fizeram anonimamente, para que informações de interesse viessem a público, ou para seu próprio aproveitamento político.

Hoje, por todo o mundo, whistleblowers são condenados como criminosos e neutralizados para que o seu impacto diminua. Por outro lado, representantes que cometeram crimes, e que foram revelados pelas denúncias de whistleblowers continuam impunes, vivendo a sua vida de sempre, e sem consequências. Esta desigualdade tem de mudar.

Conversámos sobre este tema com o Juan Branco, assessor jurídico da Wikileaks e membro da equipa de defesa de Julian Assange. É impossível negar a influência da Wikileaks nas recentes eleições americanas e na maneira como hoje, políticos são confrontados com a possibilidade dos seus mais importantes segredos serem revelados. Ainda assim, a Wikileaks não é uma organização de whistleblowers, é uma organização de jornalistas. O papel que a Wikileaks faz é o de publicar informação que lhes chega às mãos e que acreditam ser de interesse público. O Julian Assange, que foi esta semana, pela primeira vez, interrogado pela justiça Sueca, está refugiado na embaixada do Equador em Londres. Assange é um jornalista, e um ataque ao Assange é um ataque à liberdade da imprensa.

Falámos sobre as questões editoriais da Wikileaks; sobre o papel dos whistleblowers na Democracia; sobre porque está Julian Assange refugiado; sobre porque escolheu a Wikileaks publicar várias das informações sobre Hillary Clinton e nada sobre Donald Trump; e sobre o futuro do jornalismo independente.

Na Rua - Manifestação "Direitos Iguais e Documentos para Todos"

O É Apenas Fumaça esteve outra vez “Na Rua”. Desta vez para dar voz às dificuldades e lutas invisíveis dos imigrantes. Estivemos na “Manifestação: direitos iguais e documentos para todos” no dia 13 de Novembro no Martim Moniz.

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Diversas associações, movimentos e milhares de cidadãos reuniram-se pelos direitos dos imigrantes, abafando o contraprotesto mediático do Partido Nacional Renovador.

Ouve aqui o ambiente e alguns dos protagonistas desta manifestação. Falámos com a Carla Fernandes, que como mulher negra está próxima de situações difíceis relacionadas com a documentação. Moin Uddin Ahamed manifesta-se contra alterações na lei que dificultam os pedidos de residência em Portugal. António Brito Guterres defende a igualdade de direitos, cidadania e acesso aos serviços públicos e fala-nos do Plano Especial de Realojamento. Ouvimos o testemunho de Nelson (Wine) Moreira, que apesar de ter nascido em Portugal, enfrenta muitas barreiras burocráticas para obter a nacionalidade Portuguesa, fazendo com que tivesse de abandonar os estudos. E a Joana Gorjão Henriques explica-nos a discriminação criada pela mudança da lei da nacionalidade portuguesa em 1981 e salienta a responsabilidade dos media para questões como a igualdade racial.

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Na Rua - Manifestação "Salvar o Clima, Parar o Petróleo"

Um dos principais objectivos do É Apenas Fumaça é dar voz a quem por hábito não a tem. É tentar representar o mais fielmente possível a sociedade onde vivemos, algo em que achamos que os meios de comunicação social tradicionais têm falhado redondamente.

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Saímos portanto para a rua, onde estão as pessoas com quem queremos falar, as histórias que queremos contar, e os movimentos que mudam a sociedade. Estivemos na manifestação "Salvar o Clima, Parar o Petróleo" e recolhemos testemunhos de pessoas comuns. Falámos sobre as alterações climáticas, e o papel do governo Português em resposta às mesmas com o Pedro Santos. Falámos do North Dakota Access Pipeline com a Maria José. E sobre o TTIP com o Sérgio. Procurámos saber quem eram, porque estavam ali e o que exigiam que fosse diferente.

Numa altura do mundo em que a comunicação social procura o espectáculo, saímos para a rua para encontrar conteúdo e substância.

Este é o primeiro episódio do novo segmento do É Apenas Fumaça, onde vamos falar com a sociedade, porque queremos que se fale sobre ela. Chama-se "Na Rua".
Sejam bem-vindos.

Flávio Almada (ou LBC) sobre Racismo e Brutalidade Policial

Fomos onde os media tradicionais não costumam ir, dar voz a quem não costuma tê-la. Conversámos sobre racismo na Cova da Moura, com o Flávio Almada, também conhecido por LBC. O LBC é rapper e ativista, membro da Plataforma Gueto, e estudante de Mestrado de Estudos Internacionais no ISCTE.

Abordámos o tema da história do racismo e da sua evolução; falámos sobre colonialismo português e a continuidade colonial; sobre a supressão de presunção de inocência dentro dos bairros periféricos e do tipo de cobertura que os media tradicionais fazem destes mesmos bairros, principalmente quando existem casos de de brutalidade policial.

Temos abordado o racismo e a sua influência em Portugal, e continuaremos a fazê-lo.

Domingos da Cruz sobre o Regime Angolano

Num momento da História em que pessoas não têm necessidades básicas garantidas e direitos humanos assegurados, tudo o que a comunicação social faça que não seja questionar isso mesmo, é apenas entretenimento. Hoje em dia, os media tradicionais limitam-se a reportar quando existem factos novos. Não é esse o papel dos media. O papel dos media é continuar a questionar os temas que são importantes e que são críticos nos dias de hoje até que eles mudem, e até que direitos humanos sejam assegurados. É isso que nós queremos fazer no É Apenas Fumaça.

Falámos há meses atrás com o Luaty Beirão sobre Angola e sobre a mudança que ele exige para o país. Hoje, lançamos um novo episódio sobre Angola. Conversámos com o Domingos da Cruz, ativista, professor de Direitos Humanos, Filosofia e Teoria da Educação, investigador, jornalista e coordenador do Observatório da Imprensa e da Comunicação. Lançou recentemente o livro “Angola Amordaçada - A imprensa ao serviço do autoritarismo”.

Abordámos temas como o autoritarismo do regime na censura da imprensa; as eleições em Angola e porque não são representativas da opinião das pessoas; as consequências das revoluções na Libia e na Siria; e a influência do capital angolano na comunicação social portuguesa; e os próximos passos dele, como ativista pela Democracia.

Não deixaremos cair este tema no silêncio.

Links:
3’ - CLUB-K Notícias Imparciais de Angola
http://www.club-k.net
3’ - Folha 8 Jornal Angola Independente
http://www.jornalf8.net/
9’ - “Angola Amordaçada - A imprensa ao serviço do autoritarismo”, Domingos da Cruz, Guerra e Paz
http://www.almedina.net/catalog/product…roductsid=35034
11’ - Luaty Beirão sobre a Democracia em Angola, É Apenas Fumaça
http://www.apenasfumaca.pt/luaty-beirao-de…ocracia-angola/
14’ - Frente a frente entre Luvualu e Agualusa, RTP
http://www.youtube.com/watch?v=Wttf9OV1MlY
20’ - “Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura”, Domingos da Cruz, Maka Angola
http://www.makaangola.org/images/files/Di…nal%20Print.pdf

Ricardo Araújo Pereira sobre Ateísmo

Há já algum tempo que queríamos falar de religião. Do impacto que a religião, ou a falta dela, tem na nossa sociedade. No quão intolerantes e preconceituosos por vezes somos por desconhecermos o que está do outro lado, e no ódio que esta falta de compreensão instiga.

Mas, afinal o que é ser ateu, católico, judeu, muçulmano, budista ou hindu?

Desvendemos os mistérios da fé, e de outras convicções, conheçamos as pessoas e as suas histórias. Com esta série queremos desconstruir mitos e saber mais sobre o que cada um acredita.

Neste primeiro episódio conversámos sobre ateísmo com o Ricardo Araújo Pereira. Falámos de forma surpreendentemente séria sobre Deus, do mal associado à religião, da noção de culpa e pecado, do medo da morte, da relação do humor com a religião, e muito mais.

Créditos da fotografia: Global Imagens

Links

0’ - Entrevista a John Cleese, A.V. Club
http://www.avclub.com/article/john-cleese-14197
8’ - “I Don’t Believe in Atheists”, Chris Hedges
https://www.amazon.co.uk/dp/184706289X
10’ - “Os Irmãos Karamazov”, Fiódor Dostoiévski
http://www.almedina.net/catalog/productinfo.php?productsid=14419
13’ - “10 Mandamentos”, Bíblia
https://pt.wikipedia.org/wiki/DezMandamentos
15’ - “The atheist bus campaign”, RationalWiki
http://rationalwiki.org/wiki/Atheist
buscampaign
20’ - “Dialogues Concerning Natural Religion”, David Hume
https://www.amazon.co.uk/dp/1605069795
20’ - “O Nome da Rosa”, Umberto Eco
http://www.almedina.net/catalog/product
info.php?products_id=18302
21’ - Entrevista ao Stephen Colbert, Parade
http://www.nofactzone.net/2007/09/19/additional-insight-into-the-parade-coverage-of-stephen-colbert/
27’ - Papa: "Não se pode provocar nem insultar a fé das outras pessoas", Público
https://www.publico.pt/mundo/noticia/papa-francisco-nao-se-pode-provocar-nem-insultar-a-fe-das-outras-pessoas-1682308

José Miguel Pereira sobre a proteção da floresta e os incêndios

Conversámos com José Miguel Pereira, Professor Catedrático de Engenharia Florestal e Investigador no Centro de Estudos Florestais, no Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de Lisboa.

Abordámos as origens e consequências de focar nas estratégias de proteção civil, a desvalorização da prevenção, a complexidade de lidar com um território maioritariamente privado e fragmentado, as lógicas nos processos de reflorestação, mas sobretudo, o que não tem sido feito para proteger as florestas e a paisagem rural em Portugal.

Porque se fala em fogos florestais quando há mais área ardida em pastagens e matos? Porque se sobrevaloriza o papel dos incendiários quando causam menos de 10% dos incêndios? Qual o cenário futuro do fogo em Portugal com as alterações climáticas e a evolução demográfica?

Marta Araújo sobre como os Manuais Escolares narram o Colonialismo, a Escravatura e o Racismo

Conversámos com a Marta Araújo, doutorada pela Universidade de Londres, Investigadora Principal do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e foi responsável, entre outros, pelo estudo "Raça e África em Portugal: um estudo sobre manuais escolares de história" onde foram analisados manuais escolares de história desde o 25 de Abril.

Desde que o É Apenas Fumaça começou que a maneira como abordamos a História do nosso país foi um dos temas a que mais nos dedicámos. A maneira como narramos os acontecimentos passados explica em parte as decisões que fazemos hoje e a maneira como pensamos sobre a sociedade. Isto é especialmente importante na Educação, e para quem tem acompanhado alguns dos nossos episódios anteriores, percebe que a narração do Colonialismo, do Racismo, e do Escravatura nas salas de aula tem sido abordada por alguns dos nossos convidados, desde o António Brito Guterres, à Cristina Roldão e ao Pedro Abrantes, à Beatriz Gomes Dias e à Joana Gorjão Henriques.

Não gostamos de arranhar a superfície de gelo. Queremos quebrá-lo, e aprofundar os temas que achamos serem estruturantes da sociedade. Foi isso que a Marta Araújo fez, quando estudou 80 manuais escolares de História em Portugal, desde o 25 de Abril. Quis perceber como os manuais narram o Colonialismo; como explicam a escravatura; como representam visualmente os africanos e os escravos; como contam a estória das lutas da libertação; e como mencionam o estatuto do indigenato. Conversámos sobre tudo isso, e sobre o papel que estes mesmos manuais escolares têm na perpetuação da ideia do eurocentrismo em Portugal, da escola aos discursos políticos, por entre a nossa sociedade.

Beatriz Gomes Dias sobre o Racismo na Escola e na Política, e o Feminismo Negro

Convidámos a Beatriz Gomes Dias, professora de Biologia no agrupamento de escolas Filipa de Lencastre e ativista e uma das fundadoras das Djass – Associação de Afrodescendentes. Faz também parte da Comissão Política do Bloco de Esquerda.

Desta vez, e aproveitando a sua experiência particular como professora negra e na militância política, aprofundámos o racismo na educação, e na política, e o feminismo negro.

Falámos das formas em que o sistema escolar e os currículos são machistas e racistas, reproduzindo modelos de desigualdade. Abordámos as razões da ausência do combate ao racismo na esfera política. E discutimos as especificidades do movimento feminista negro e da discriminação às mulheres negras.

É necessário reconhecer a existência de portugueses/as negros/as e sua discriminação e questionar o privilégio branco nas questões feministas!

Links:
0’ – Cristina Roldão e Pedro Antrante sobre Racismo na Escola, É Apenas Fumaça
http://www.apenasfumaca.pt/cristina-roldao-pedro-abrantes-racismo-escola/
11’ – Programa Eleitoral do Partido Socialista, Eleições Legislativas 2015
http://www.ps.pt/wp-content/uploads/2016/06/programa_eleitoral-PS-legislativas2015.pdf
11’ – Manifesto Eleitoral do Blobo de Esquerda, Eleições Legislativas 2015
http://www.bloco.org/media/manifestolegislativas2015.pdf
17’ – "ONU traça retrato de discriminação e "racismo subtil" em Portugal”, Público
https://www.publico.pt/sociedade/noticia/onu-traca-retrato-de-discriminacao-e-racismo-subtil-em-portugal-1564647
22’ - Década Internacional de Afrodescendentes 2015-2024, ONU
http://decada-afro-onu.org/
26’ - Miguel Vale de Almeida sobre Direitos LGBT, É Apenas Fumaça
http://apenasfumaca.pt/miguel-vale-almeida-direitos-lgbt/
27' - “Ain’t I a Women”, Sojourner Truth
http://www.sojournertruth.org/Library/Speeches/AintIAWoman.htm

Bernardo Pires de Lima sobre a Política Externa Portuguesa e a União Europeia

Falámos com o Bernardo Pires de Lima, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa e do Center for Transatlantic Relations, da Universidade John Hopkins em Washington D.C., colunista no Diário de Notícias, comentador na RTP e Antena 1, e autor de vários livros, entre os quais "Portugal e o Atlântico", "Putinlândia" e também "Administração Hillary", que lança esta semana, em co-autoria com a Raquel Vaz Pinto.

Durante pouco mais de meia hora, debatemos a política externa Portuguesa, ou a falta dela. Para o Bernardo "não tivemos uma política externa muito bem montada nos últimos trinta anos", algo que ele ilustra com a confusão feita entre "diplomacia" e "política externa". Falámos também sobre as relações externas de Portugal com países do eixo Atlântico, Europeus e Asiáticos.

Será que essas relações estão a ser bem exploradas e cultivadas? O que poderíamos fazer melhor? Quais as implicações para Portugal, de eventos como as eleições Americanas ou o Brexit?

Links:
1’ - “Portas: próximos diplomatas vão ter de estagiar em empresas”, TVI24
http://www.tvi24.iol.pt/politica/paulo-portas/portas-proximos-diplomatas-vao-ter-de-estagiar-em-empresas
1’ - “Entrevista a Paulo Portas, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros”, Cluster do Mar
http://www.clusterdomar.com/index.php/temas/tema-central/40-paulo-portas
13’ - “Portugal e o Brexit”, Bernardo Pires de Lima, Diário de Notícias
http://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/bernardo-pires-de-lima/interior/portugal-e-o-brexit-4860338.html
18’ - Entrevista de Anabela Mota Ribeiro a Bernardo Pires de Lima, Jornal de Negócios
http://anabelamotaribeiro.pt/bernardo-pires-de-lima-217185
23’ - “Rui Tavares sobre o Projeto Europeu”, É Apenas Fumaça
http://www.apenasfumaca.pt/rui-tavares-projeto-europeu/
26’ - “Portugal e o Atlântico”, Bernardo Pires de Lima, FFMS
https://www.ffms.pt/publicacoes/detalhe/1482/portugal-e-o-atlantico
29’ - Entrevista de Paulo Tavares a Bernardo Pires de Lima, TSF
http://www.tsf.pt/politica/interior/portugal-e-o-atlantico-um-novo-rumo-para-a-politica-externa-portuguesa-5158387.html
30’ - Luaty Beirão sobre a Democracia em Angola
http://www.apenasfumaca.pt/luaty-beirao-democracia-angola/

Bárbara Rosa sobre Transparência, Corrupção e o Caso dos Submarinos

Conversámos com a Bárbara Rosa, jurista de Direito Público, ex-membro da Direção da TIAC, e Investigadora nas áreas da transparência, acesso à informação pública e políticas de combate à corrupção. É também co-autora do Blog Má Despesa Pública e de dois livros com o mesmo nome, e Consultora em good-governance.

“Nós não vamos falar sobre transparência. Vamos falar sobre Democracia.” Esta foi a frase da Bárbara que me ficou na cabeça depois da primeira vez em que falei com ela. No É Apenas Fumaça, queremos questionar as decisões que são feitas; responsabilizar os decisores; e dar voz aos representados. Só tendo acesso à informação podemos realmente escrutinar o papel e as decisões dos representantes na nossa sociedade, e agir sobre eles. Esta é também a sua luta.

Conversámos durante cerca de meia hora sobre o papel da transparência na Democracia; sobre gestão pública e corrupção; sobre o papel do Ministério Público no Caso dos Submarinos; sobre whistleblowers; e também sobre Democracia Direta.

Cristina Roldão e Pedro Abrantes sobre Racismo na Escola

Contámos com a Cristina Roldão, socióloga e investigadora no Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE-IUL, e com o Pedro Abrantes, sociólogo e investigador na área da Educação no mesmo centro de estudos e também Professor Auxiliar na Universidade Aberta.

Com base nos dados que têm vindo a “escavar” sobre a população africana em Portugal, ajudam-nos a contextualizar e a desconstruir as desigualdades étnico-raciais na Escola.

Falámos sobre a sua invisibilidade e falta de monitorização, o impacto da origem africana no sucesso e percurso escolares, o problema português das elevadas taxas de reprovação no 1º ciclo, a segregação prevalente nas escolas e nas turmas, assim como desmitificámos o papel da língua nestes processos.

Joana Gorjão Henriques sobre o Colonialismo

Falámos sobre Colonialismo com a Joana Gorjão Henriques, jornalista no Público, colaboradora no The Guardian, e lançou recentemente o livro "Racismo em Português - O Lado Esquecido do Colonialismo".

É comum orgulharmo-nos em Portugal das glórias da nossa história. Das batalhas aos descobrimentos, do colonialismo à mistura de culturas. Aprendemos isso na escola e agarramo-nos ao passado como se de o presente se tratasse.

Mas, será tudo isto motivo de orgulho? Terão sido os Portugueses bons colonizadores? Os primeiros a abolir a escravatura? Misturamo-nos com outros povos? Afinal, qual será a outra versão da história?

Durante pouco mais de 30 minutos, questionámos o que os manuais escolares nos contam e descobrimos verdades que durante muito tempo se varreram para debaixo do tapete.

Miguel Vale de Almeida sobre Direitos LGBT

Falámos com o Miguel Vale de Almeida, antropólogo, ativista pelos direitos LGBT, ex-deputado à Assembleia da República e professor no ISCTE, sobre direitos LGBT.

Sabíamos que falar sobre LGBT seria difícil, e muito se deve ao simples facto de falarmos sobre isso. É que apesar de Portugal ser hoje dos países mais progressistas no que toca aos direitos pela igualdade e identidade de género, e orientação sexual, fala-se pouco e esconde-se muito.

Porquê? Será a homofobia um não-assunto em Portugal? Seremos nós apenas tolerantes? Discriminamos em áreas tão importantes como a saúde por exemplo? Como é que nos tornamos mais inclusivos?

Durante pouco mais de 30 minutos, falámos sobre todas estas questões e mais algumas, sabendo que ficou muito por discutir. Mas guardamos isso para uma próxima conversa.

Luaty Beirão sobre a Democracia em Angola

Conversámos com o Luaty Beirão, ativista luso-angolano pela democracia em Angola e co-fundador da Central 7311. É rapper com o nome de Ikonoklasta e é também tradutor.

Silêncio. Foi isto que se instalou por entre a comunicação social portuguesa e internacional desde que Luaty Beirão e os restantes ativistas foram libertados das prisões angolanas. Apesar da onda de solidariedade levada pelo mote #LiberdadeJá, foram poucas as vezes que, tirando algumas exceções, se abordou este caso com a profundidade que ele necessita, sem que fosse para comunicar a sua greve de fome. O Luaty é luso-angolano, e foi preso por estar a ler um livro. Um livro subversivo, afirmou António Luvualo de Carvalho, embaixador angolano. “Da Ditadura à Democracia”, do Gene Sharp, é um símbolo da nãoviolência e do pacifismo para destronar ditaduras. Como diria José Eduardo Agualusa, é um livro subversivo em regimes autoritários.

A primeira vez que pensámos em abordar este caso no É Apenas Fumaça estavam ainda os 15+2 presos em celas angolas, alguns deles a lutar pela vida e todos a lutar por um país. Mas foi exatamente quando foram libertados, a 29 de Junho, que se tornou evidente que teriamos de abordar o caso e continuar a questioná-lo. Não vamos deixar que o silêncio se instale.

Abordámos o que se passa em Angola hoje; o futuro do movimento; a inspiração que a Primavera Arabe lhe trouxe; a (não) intervenção do governo português; e também a cobertura da comunicação social.

Esta conversa foi gravado por Skype, e com alguns problemas de som. Daí, disponibilizamos também uma transcrição do audio, para que possam ler a entrevista.

António Brito Guterres sobre a Exclusão Social

Conversámos com o António Brito Guterres, colaborador da Fundação Aga Khan e professor no Curso de Especialização em Territórios Colaborativos do ISCTE, onde é também investigador.

Conheci o António Brito Guterres na preparação para uma talk que ele iria fazer do TEDxLisboa. A primeira conversa foi de mais de 1 hora, entre as histórias de como foram criados os bairros periféricos na cidade de Lisboa, até ao nascimento do Fado, e de como surgiu de uma mistura entre ciganos e africanos. O António é um contador de histórias e, talvez por ter passado grande parte da sua vida numa cidade invísivel dentro de Lisboa, as histórias que ele conta não aparecem escritas em letras gordas.

Conversámos sobre papel dos territórios na exclusão social; a representatividade democrática das comunidades; sobre se essas mesmas comunidades são minorias; e sobre os movimentos grassroots em Portugal e no Mundo.

Pedro Magalhães sobre a Democracia

Conversámos com o Pedro Magalhães, Investigador de Ciência Política no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Diretor Ciêntifico Fundação Francisco Manuel dos Santos, sobre a Democracia.

Mas o que é a Democracia? Esta é uma pergunta que tem estado obsesivamente na minha cabeça durante o último ano, e que me fez não só devorar livros e podcasts, como submergir em conversas e debates, das mais filosóficas às mais práticas.

A Democracia é votar em eleições? É termos liberdade de expressão? É sermos representados pela maioria dos deputados? E se esses deputados forem anti-semitas? A Democracia pressupõe a liberdade? A precariedade é democrática?

Tudo isto é demasiado interessante para ser deixado de fora da discussão.

O Pedro Magalhães tem estudado de uma forma aprofundada assuntos muito interessantes, como “O que é que as pessoas acham que é a Democracia?”. E é disto que vamos falar.

Durante 50 minutos, conversámos sobre o que as pessoas acham que é a Democracia; sobre o que causa a abstenção; sobre o comportamento dos jovens e como eles participam na política; sobre se os portugueses estão satisfeitos com a Democracia e se a continuam a preferi-la em relação a uma ditadura.

Daniel Oliveira sobre a Comunicação Social

Daniel Oliveira foi jornalista no Diário de Lisboa, no Já, no Vida Mundial e no Diário Económico. É hoje colunista no Expresso, comentador no Sem Moderação, do Canal Q e no Eixo do Mal, da SIC Notícias. Foi fundador da Plataforma de Esquerda, do Politica XXI (que deu lugar ao Forum Manifesto), e também do Bloco de Esquerda, onde foi dirigente. Hoje, não é membro de qualquer partido.

Conversar com o Daniel Oliveira pode ser intimidante. A maneira apaixonada como o Daniel debate sobre qualquer tema pode fazer parecer dele um homem que se entusiasma com pouco. É o contrário. O Daniel é daquelas pessoas que retira prazer pela investigação, por saber mais. Tanto é que consegue, como ninguém que conheça, ter uma discussão profunda sobre temas mais variados da atualidade. É intenso.

Chegámos a casa dele pouco atrasados e menos nervosos que aquando do primeiro episódio. Ainda não tinhamos montado os microfones e faláva-nos já o Daniel sobre religião, sobre politica, e sobre o ataque a Orlando. 

"Já temos alguma coisa em que discordamos.", disse. Atreveria-me a dizer que o Daniel é atropelado por um pico de adrenalina quando discorda com quem discute. Aí está uma oportunidade para o debate. Nós gostamos disso, e começamos a gravar.

Durante cerca de 40 minutos, conversámos sobre o papel da Comunicação Social e a sua pluralidade; sobre o estado do jornalismo e a seriedade dos jornalistas; sobre o futuro dos media como negócio e a consequência desse futuro para a sociedade.

Aprofundámos um tema que nos afecta a todos e que a Comunicação Social pouca vontade tem de debater.

Rui Tavares sobre o Projeto Europeu

Conversámos com o Rui Tavares, historiador, ex-deputado ao Parlamento Europeu, fundador do Livre e promotor do DiEM25, sobre o Projeto Europeu.

Diria que é impossível para o Rui Tavares estar nem que sejam 15 minutos sem contar uma história. As histórias saem-lhe pela boca com uma velocidade estonteante, e foi ao entrar em nossa casa, onde já se lembrava e nos contava dos tempos em que fazia blogues e jornais com o Miguel Portas, que se apresentou, e nos falou de amigos que por aqui viviam.

Começámos este episódio com algum nervosismo, por ser o primeiro, mas principalmente por termos colocado a fasquia tão alta a nós próprios (e talvez por termos escolhido um primeiro convidado que, sabíamos poder falar durante horas sem ser interrompido).

Durante uma hora, falámos sobre a história da Europa, sobre o facto de termos uma união monetária mas não política, do papel do parlamento Europeu, da soberania dos povos e do futuro dos países do sul.

Aprofundámos um tema que tem estado um pouco por todo lado mas que é quase sempre visto de forma superficial, mesmo agora que tanto se fala da saída do Reino Unido da União Europeia.